Uma salva de palmas para… Juca de Oliveira

Nesse capítulo, a história de um ator cujas atuações eram hipnotizantes (e uma homenagem extra no final a outro lendário ator)



Hoje, retornamos com uma série que fora descontinuada mas que, em momentos como este, é importante, não que choremos a morte, mas celebremos a vida (e, no caso desta série, a carreira). E hoje, recordamos com carinho algumas das atuações memoráveis de um ator do primeiro time, no caso, Juca de Oliveira, que nos deixou na madrugada do sábado 21, aos 91 anos, vítima de pneumonia associada a complicações cardíacas (segundo o Notícias da TV). Todavia, a informação só se tornara pública apenas na manhã do mesmo dia, para tristeza de muitos de nós, admiradores de seu brilhante trabalho.

Após abandonar o curso de Direito da USP, Juca entrou pra Escola de Arte Dramática e passou a integrar o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia). Anos depois, ingressara em uma companhia própria onde, sendo ator dramático, passou a montar comédias como “Caixa 2”, por exemplo (que virou filme anos depois). Perseguido pela sanguinária Ditadura por se declarar comunista, Juca se exilou na Bolívia durante um tempo, pra voltar ainda em 1964 ao Brasil pra fazer parte do banco de atores da TV Tupi, estreando como Jorge na primeira novela das sete da emissora, Gutierritos: o Drama dos Humildes, uma adaptação de Walter George Durst da clássica história da Televisa produzida por Valentín Pimstein.

Em 1969, veio o primeiro personagem de grande sucesso: Nino, o Italianinho, das mãos do autor e diretor Geraldo Vietri (que escreveu a história com Walther Negrão, que iria pra Globo na metade da história). Nino era apaixonado por Natália (Bibi Vogel), que era moça ambiciosa, pois pretendia se casar com seu patrão milionário, mas ignorava o sentimento que Bianca, interpretada por Aracy Balabanian, sentia por ele. E aqui começava pra valer a parceria televisiva entre Juca e Aracy, na qual o sucesso foi tamanho que rendeu a ambos o protagonismo de A Fábrica, outra novela de Vietri, onde Juca interpretou o operário Fábio, grevista que se apaixona por Isabel, filha do dono da Tecelagem Santa Isabel, que havia sofrido um incêndio onde o pai de Isabel falecera. A última novela de Juca na Tupi foi Camomila e Bem-Me-Quer, de Ivani Ribeiro, onde ele interpretou Bruno, um sujeito machista e conservador, cujo filho se apaixonava pela filha da feminista Margarida (Nicette Bruno).

A primeira passagem pela Rede Globo começou em 1973, quando Juca entrou em O Semideus, de Janete Clair, pra interpretar Alberto Parreiras. Em 1976, um novo vôo na carreira: o protagonista João Gibão, de Saramandaia, de Dias Gomes. Gibão era vereador em Bole-Bole, irmão do prefeito Lua Viana (Antônio Fagundes), e escondia um belo par de asas em suas costas, detalhe revelado no último capítulo. No ano seguinte, na fracassada Espelho Mágico, interpretou Jordão Amaral, autor da novela Coquetel de Amor, inserida na trama. Em 1982, fez sua primeira novela na Band, Ninho da Serpente, de Jorge Andrade, onde interpretou o Dr. Almeida Prado. Voltou à Globo em 1983 pra participar da minissérie Parabéns Pra Você, e logo rumou pra Manchete em 1984, onde participou de alguns projetos de dramaturgia dentro do Programa de Domingo.

No SBT, fez três novelas: a esquecível Brasileiras e Brasileiros (1990), onde interpretou Alceu, o remake de Os Ossos do Barão (1997), onde participou como Egisto Ghirotto, que, por não ter um título de nobreza (mesmo tendo comprado até “os ossos do barão”), decide empurrar o filho pra bisneta do falecido barão, e a clássica As Pupilas do Senhor Reitor (1994), na qual entrou na pele de Padre Antônio, um católico rígido, rival de Daniel das Dornas (Eduardo Moscovis), que faz de tudo para que este não se envolva com as meninas que cria. Outro vilão marcante na carreira de Juca foi o Professor Praxedes, de Fera Ferida (1993), um dos alvos da vingança do lendário Raimundo Flamel (Edson Celulari). Sua última incursão fora da Globo foi a novela Vidas Cruzadas (2000), única participação de Juca em uma novela da Record, na qual interpretou o Comendador Aquiles.

Em 2001, retornou à Globo pra ficar em definitivo. E voltou logo por cima, já interpretando aquele que seria o seu personagem mais lembrado até hoje pelos noveleiros de plantão: o Dr. Augusto Albieri, de O Clone. Não é necessário dizer o quão impactante foi esta novela na história da teledramaturgia nacional, é? Se Léo foi clonado a partir de Diogo, foi por intermédio de Albieri, que, assim como Leônidas (Reginaldo Faria), pai de Diogo, não aceitou a partida trágica do afilhado. Após o boom de Albieri, as participações mais lembradas de Juca na dramaturgia global foram como o Alberto, da minissérie Queridos Amigos (2008), onde contracenou novamente com Aracy Balabanian (interpretando seu marido), o Santiago, de Avenida Brasil (2012), o judeu Samuel Schneider, de Flor do Caribe (2013), o Alberto Castellini (ou Navona, na segunda fase) de Além do Tempo (2015) e o Dr. Natanael em O Outro Lado do Paraíso (2017), seu último papel na televisão.

Lógico que Juca também participou de diversas peças teatrais e filmes, mas o nosso foco neste blog é a televisão, ramo no qual, desde 2018, Juca não atuava. Portanto, ficam aqui nossas lembranças televisivas deste grande e inigualável ator que deixou uma marca indelével na TV aberta brasileira. Que Deus conforte a família, os amigos e os fãs de José Juca de Oliveira Santos. O nosso Juca.

P. S.: também deixamos nossas condolências aos familiares, amigos e principalmente aos fãs do lendário ator Chuck Norris, nascido Carlos Ray Norris, que faleceu aos 86 anos. Ainda que sua carreira fosse mais recordada pelos filmes que protagonizou, como as sagas Braddock e Comando Delta, nós também sempre lembraremos da série Walker, Texas Ranger (que ficou conhecida um tempo no Brasil como Chuck Norris, o Homem da Lei) por ele protagonizada e que passou no Brasil no SBT e, um tempo depois, na Band. E reforçando o meme: “Chuck Norris não morreu. Apenas foi ter uma séria conversa com seu contemporâneo Charles Bronson.”

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