Ninho das línguas afiadas
Globo e SBT miram em padronização e qualidade... e acertam em bizarrices e escândalos
Depois que me ausentei das postagens do TVer Ou Não TVer, parece que todo mundo resolveu enlouquecer de vez. Aliás, depois que Globo e SBT se tornaram "mais que amigas, friends" e já não disputam mais a audiência entre si (vide que a Record tomou o 2º lugar do Sistema já há muito tempo), ambas resolveram trilhar o mesmo caminho da falta de planejamento e organização nas grades.
A antiga Vênus Platinada insiste em tentar naufragar nos seus próprios prantos. Coração Acelerado foi um fiasco, a reprise de Avenida Brasil não tem sido um sucesso e a Globo confirmou a continuação pra 2027. O único acerto de fato foi a série Pablo & Luisão, que foi também o único grande acerto do setor de humor em anos na emissora, como também o maior acerto de seu criador, Paulo Vieira, em um projeto dentro da emissora. Mas é inegável que a pior atração do semestre atende pelo nome de Estrelas da Casa.
O reality em questão foi criado não para criar novas estrelas. Foi criado pra exilar Ana Clara do BBB e evitar que ela seja a apresentadora do reality que foi quem a revelou, num dos raros momentos em que a Globo revelou um talento de fato, até porque a emissora quase nunca foi muito hábil nisso. Dizem que é um sucesso comercial, mas... o que não é um sucesso comercial na Globo? É a Globo! A maioria dos anunciantes, quando escutam o nome Globo, já correm pra conseguir comprar sua cota. O que pesa, todavia, é que audiência e faturamento, em muitos casos, não caminham juntos.
E é este o caso do Estrelas da Casa. As duas primeiras temporadas, sofríveis e esquecíveis, tentaram revelar novos cantores para o público. Não deram certo. Agora, a missão é criar um grupo de pop ou pagode, tendo Belo e Júnior (o irmão da Sandy) como mentores e se destacando mais que os próprios competidores, cujos fiascos não passam despercebidos pelas redes sociais. Como se isso não bastasse, ao invés de cantores semidesconhecidos, a Globo resolveu lotear o Estrelas da Casa com competidores jovens que já fizeram parte de algum projeto da emissora.
Quando Anitta entrou como jurada, esperava-se que fizesse o que já vinha fazendo na programação da própria Globo já há uns quatro a cinco meses: a divulgação de seu projeto Equilibrium. No entanto, o que tem se visto é a reencarnação de Arnaldo Saccomani, que foi basicamente o que ela conseguiu ser nestas primeiras semanas de Estrelas da Casa. Aliás, no fundo, no fundo, não sei se era justamente esse o objetivo final do Equilibrium. Grosserias, ataques de fúria e disparates ao estilo de Marco Camargo no Ídolos (quando o reality em questão foi pra Record). Nem os fãs mais ardorosos esperavam isso dela.
Agora, o que aconteceu essa semana dos lados da Anhanguera nem vale muito a pena escrever um capítulo de O SBT Faliu! Afinal, a situação da emissora mais parece um caso pro Cidade Alerta explorar do que algo pra tirarmos graça disso. Primeiro, Carol Lekker, subcelebridade que estava como colaboradora do Fofocalizando, resolveu pedir aumento e o Sistema negou. Ela alegou que os R$ 10 mil que estava ganhando não cobria seus custos de vida. Espera aí... virou deputada, foi?
Com a negativa da diretoria da Anhanguera, ela saiu. Em menos de 24 horas, a Barra Funda ligou: Lekker vai ser co-host da Link TV, projeto digital da Record, juntamente com Saory Cardoso, namorada de Dudu Camargo, e Jordana Morais, a ex-BBB 26 mais midiática (e menos política, frise-se). Só que a Record a proibiu de divulgar o salário novo, que acredita-se que seja maior que o do SBT. Ou seja, Carol Lekker voltou à Record e, mais precisamente, à Fazenda, da qual provavelmente fará cobertura também.
Depois, Rodrigo Bocardi, contratado com pompa e circunstância em meio à Copa do Mundo, foi acusado por Jones Donizette, ex-secretário de Tecnologia e Comunicação de Embu das Artes (SP), de praticar extorsão, alegando que haviam gravações comprobatórias. Ou seja: se a prefeitura pagasse, Bocardi não metia a boca no trombone. Não é demais lembrar que foi assim que ele perdeu o emprego na Globo, porque, segundo a Vênus Platinada, ele extorquia empresas de ônibus, de coleta de lixo e de obras públicas pra não tecer críticas.
Com isso, ele foi afastado do SBT Cidades, projeto que foi criado em parceria com a BocaTV, canal do YouTube de propriedade do próprio Bocardi, que sofrera um baque anterior na semana passada, quando a diretoria (não a de jornalismo) do CDT da Anhanguera mandou que não se citasse mais a BocaTV no programa. Sem o SBT Cidades e sem citar seu projeto em rede nacional, Bocardi desceu a lenha em Jones, cobrando as gravações. Cobrança não é o forte de Bocardi. Disse ele que não tinha nada a ver com o SBT.
Só que tinha tudo a ver com o SBT, tanto que depois ele disse que só voltava ao SBT se quisesse; o que importava pra ele era a BocaTV. Bem... neste caso (e só neste caso) Bocardi fez bem em lembrar ao público que o SBT Cidades só foi criado por causa do contrato de parceria entre o Sistema e a BocaTV. Segundo Bocardi, a rede não estaria cumprindo o combinado e ele não tem vocação para o jornalismo policial, ramo para o qual o SBT Cidades tende a se mudar com a saída de Bocardi.
O Sistema soltou uma nota à imprensa aceitando o pedido de demissão de Bocardi... e ele reclamou! Publicou um vídeo alegando que demitiu o SBT da vida dele. O que é um contrassenso, pois ele desceu a lenha na emissora enquanto uma TV ao fundo exibia um capítulo da reprise de A Desalmada. Definitivamente, coerência também não é o forte de Bocardi. Ainda disse que não tinha como continuar dentro de uma emissora cujo marido de uma das donas está envolvido com Vorcaro. Sobre o banqueiro, é papo pra artigo no Variante.
Só que Bocardi, minutos depois da confirmação do rompimento de contrato por parte da Anhanguera, foi entrar ao vivo no Melhor da Tarde da Band pra descer a lenha em Fábio Faria e sua relação com Vorcaro. Leo Dias, incomodado com a situação (porque com certeza tá mais sujo que pau de galinheiro nisso aí também), mandou o programa pro comercial. Quando voltou do comercial, Bocardi desceu a lenha na Band ao vivo, criticando a estrutura da emissora.
A Band, por meio de nota, também desceu a lenha em Bocardi. Alegou que a postura dele não deveria ser aquela. E como se não fosse o bastante, Joel Datena, no Brasil Urgente, deu aquela indireta bem direta dizendo que tem que se valorizar o local de trabalho. No caso do SBT, tem mesmo. Já ouvi de diversos profissionais que a melhor emissora pra se trabalhar é justamente o SBT. Carol Lekker e Rodrigo Bocardi sabiam desta informação. No entanto, resolveram se comportar como ingratos e é isto que vai rotulá-los pro resto da vida. Bocardi principalmente.
É evidente, porém, que há uma crise muito forte no Jornalismo do SBT. O Compliance da emissora tem recebido diversas críticas convergentes no que se refere a cobranças e desconfortos, principalmente em casos recentes. Os detalhes estão na coluna mais recente do Notícias da TV, assinada por Márcia Pereira.
O exemplo de lealdade no Sistema, acreditem se quiserem, partiu de Galvão Bueno. Como a N Sports, alegando que não recebera do SBT valores referentes a receitas de patrocínios e ativações comerciais da Copa, impetrou na justiça um processo apontando uma dívida de mais de R$ 40 milhões, Galvão deixou de ser sócio da N Sports justamente pelo fato da emissora processar o Sistema. O narrador mandou uma carta pra Anhanguera falando que iria deixar a N Sports se esta fosse à Justiça contra o SBT. Galvão prometeu e cumpriu. Não se sabe ainda como vai ficar a situação de trabalho entre o narrador e a rede das Abravanel.
Pois bem, em resumo: a língua é o chicote do rabo. A soberba precede a queda. E há muitos outros ditados que caberiam nestas situações.
