O SBT FALIU [56º capítulo]: “O Efeito Murilo”

Pois depois de um mês e um dia do último capítulo, um turbilhão de emoções invadiu o CDT da Anhanguera. E é justamente por isso que, a partir de agora, entra no ar uma vez mais a sua novela-reality…
No capítulo anterior, desci a lenha na programação que fora absurdamente mudada devido aos conselhos mal ajambrados de Ratinho e César Filho. E bom… esses dois foram alguns dos responsáveis não apenas pelo péssimo desempenho da grade quando adiantada, como também pelas críticas à postura do Sistema em relação a casos politicamente inaceitáveis. Sim, politicamente, porque, levando-se em consideração o caso de transfobia cometida por Ratinho a uma deputada (a qual, não é demais lembrar, é Presidente da Comissão das Mulheres da Câmara dos Deputados) e a renovação de contrato de Marcão do Povo, afastando de vez a presença da cantora Ludmilla dos programas da casa, somados ao GC politicamente enviesado em uma edição do SBT Brasil em relação a uma agressão sofrida por um rapaz, os políticos tanto da direita quanto da esquerda se manifestaram tanto contra quanto a favor da emissora.

Todavia, o buraco, por mais embaixo que esteja, segue sendo cavado à exaustão pela gestão atual do Sistema. O problema não é manter em seus quadros um transfóbico e um racista, o problema é não puni-los exemplarmente. A demissão não seria uma decisão justa, vide que a RedeTV ou até a Rede Brasil acabariam por contratá-los depois; afinal, emissoras de fundo de quintal sempre dão uma segunda chance para quem comete crimes difamando ou ofendendo por palavras. Seria mais justo e correto um corte de 75% do salário e suspensão automática dos programas que ambos apresentam.

Lógico, não é demais lembrar que, além destes casos, o Domingo Legal fez barulho no Twitter porque Celso Portiolli, acostumado a comemorar a audiência, decidiu competir contra Eliana de uma maneira que, segundo você mesmo frisa, poderia até ser aceita em 1981, mas que não cabe mais em 2026: uma rã ferida sendo espremida pelo apresentador por causa de uma receita que a dona da mesma teria ensinado em vídeo previamente exibido no programa (e por isso Celso e o SBT estão sendo investigados pelo Ministério Público paulista). Celso também poderia sofrer um corte de 75% do salário e o Domingo Legal entrar em suspensão automática. Contudo, nem Celso, nem Ratinho e muito menos César sofreram quaisquer tipos de punição. E isso sim é revoltante. A direção, inerte no caso de seus conselheiros, preferiu jogar a toalha.

Aliás, Marcelo Castro, criador do Alô Juca, da TV Aratu, e muso inspirador do felizmente extinto Alô Você e tantos outros, deveria ser preso, sim, pelo caso do esquema do PIX. Mas, como a Aratu é apenas uma afiliada, a cabeça-de-rede não tem porque meter o bedelho em um caso que é, via de regra, de responsabilidade da emissora local (ou irresponsabilidade, por manter contratado um criminoso). É um caso de repercussão nacional, é fato, mas Castro não é contratado direto do Sistema e sim do Grupo Aratu, que também deveria ser punido por manter o golpista em sua equipe de funcionários. Outro problema que é de responsabilidade da afiliada e não da cabeça-de-rede é o caso da Rede Alterosa, afiliada do Sistema em Minas. Acontece que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do estado processou a Alterosa por depósitos não realizados desde 2014 a funcionários ativos da emissora, que agora vai ter que desembolsar R$ 457 mil pra pagá-los.

E como se isso não bastasse, a chegada de Thiago Gardinali ao Sistema rendeu bons frutos no IBOPE, mas péssimos frutos na repercussão geral e na credibilidade já abalada do jornalismo do SBT, que se distanciou muito do padrão imprimido por Boris Casoy, Hermano Henning ou Carlos Nascimento, por exemplo, e se aproximou do modelo iniciado pelo Aqui Agora nos anos 90 e difundido à exaustão na Record e na Band. Gardinali não apenas comemora vitórias que o IBOPE não registra como, numa tentativa absurdamente ridícula de superar sua antiga empregadora, divulga uma imagem criada por IA como se fosse uma notícia verdadeira. Com razão os recordistas não tinham lá muito apreço pelo sujeito. É mais um que deveria seguir pelo caminho do entretenimento, porque pra jornalista se provou que não tem serventia. Diz o SBT que tomou providências internas em relação à imagem de IA. Aham, do mesmo jeito que tomou com Ratinho quando da transfobia ou com Celso e o Domingo Legal quando da rã.

É lógico que a emissora não está se importando com isso. O problema maior aqui radica na injeção maior de investimentos em “espreme-que-sai-sangue” e menor nos próprios funcionários e nos produtos importados. Não é demais lembrar que foi durante a gestão de Mauro Lissoni como CEO Artístico e de Programação do CDT da Anhanguera que:
  • Christina Rocha foi jogada aos traços do sábado sem qualquer justificativa plausível, vide que o Casos de Família, quando diário, pontuava até 3 de pico;
  • Cariúcha, insatisfeita com o fato de não ter um programa solo, vide que ela demonstrou ter carisma, simpatia e profissionalismo pra isso, saiu pra aceitar a bomba de reativar o SuperPop da RedeTV;
  • Luiz Bacci foi contratado pra ser a cara do Alô Você, desistiu, quis um programa de entretenimento e, por não conseguir tal espaço, saiu também;
  • Geraldo Luís foi contratado como a “arma secreta” do Aqui Agora, a pedra fundamental da gestão Lissoni, se “desencantou” com o SBT e também saiu;
  • A renovação de contrato de Danilo Gentili, que quase não aconteceu, foi uma enrolação atrás da outra;
  • As novelas mexicanas e o Chaves, responsáveis pelos índices mais altos de audiência da grade diária, cuja média vem sendo 2 pontos, foram escanteados irresponsavelmente.
Em suma, a passagem de Lissoni pelo Artístico ficou marcada pela insistência ininteligível em formatos como Primeiro Impacto e Aqui Agora. A insistência em cópias baratas do Cidade Alerta e do Brasil Urgente, atrações já consolidadas em suas respectivas emissoras, somada ao desprezo incontido pelas produções da Televisa, fez com que Lissoni perdesse o respeito entre seus pares e fosse devidamente hostilizado pela audiência qualificada do Sistema que, mesmo após tantas polêmicas, ainda mantém uma fanbase muito grande a idolatrando. Ou seja, Lissoni conseguiu superar o péssimo desempenho já deixado pelo pastor Rinaldi Faria quando esteve à frente do mesmo cargo.

No lugar de Lissoni, a Sra. Daniela tratou de recontratar Murilo Fraga, homem que, ao contrário de Lissoni, já chegou dizendo que o Sistema precisa se desvencilhar da cópia barata de Record e Band que se tornou. O prestígio das novelas mexicanas e do Chaves, abalados durante a péssima gestão Lissoni, estão voltando aos poucos. A começar que Fraga confirmou a estreia de Domenica Montero, protagonizada por Angelique Boyer, cuja trama é inspirada na mesma história que inspirou Amor e Ódio (produzida pelo Sistema em 2001) e A Dona (exibida pelo Sistema em 2014), para segunda-feira 13 às 20h45, em substituição a Presente de Amor, e a nova reprise de Sortilégio em substituição a Coração Indomável na faixa da tarde, prevista para estrear na quarta-feira 15, devido à transmissão da Liga dos Campeões da UEFA na terça-feira 14.

Também anunciou a descontinuação do Alô Você, o que tira o competente Darlisson Dutra da faixa do almoço. Em compensação, o Primeiro Impacto ganha mais tempo de duração (infelizmente ainda sob o comando do Marcão) indo até 13h, faixa na qual será exibido diariamente… o Chaves! Sim, das 13h às 14h. “Ain, mas o SBT vai perder pra Record…” Se for pra perder, será muito mais honroso perder reativando o DNA do Sistema do que copiando justamente as emissoras para as quais perde nessa faixa horária. O único senão continua sendo o Marcão, que agora vai ganhar mais tempo de tela, mas… bem, eu já expliquei anteriormente. Só que o Marcão já reclamou, ao vivo, que “o clima no SBT tá difícil”, criticando quem fica se achando por ter subido de cargo. Vamos ver quanto tempo demora pro dito cujo sair do Sistema.

Agora, com Benjamin Back a conversa foi diferente. Depois de alimentarem as esperanças dele ter um programa esportivo na hora do almoço e nada ir pra frente, o Benja pediu as contas e vai focar no canal dele no YouTube. Além disso, Michael Ukstin, que dirigiu diversos programas e documentários na emissora, foi limado do Sistema. E este era o diretor preferido da Patrícia...

Claro que o maior acerto do Sistema no momento é o remake do Viva a Noite, cuja edição do sábado 11 rendeu 4 pontos de média (marca que o SBT só via no domingo e olhe lá). 4 pontos é um número gigantesco pro Sistema. É lógico que Luis Ricardo tem que imprimir sua identidade no programa e se desvencilhar da lembrança inesquecível do Gugu, mas pelo menos essa “homenagem semanal”, em detrimento das críticas do diretor Homero Salles ao revival, está atraindo o IBOPE. Logo, logo, os anunciantes chegarão.

Copiar o Gugu como um todo é absolutamente impossível, mas resta saber até quando sugarão da lembrança dele. Aliás, a lembrança de Gugu é tão latente que até a Banheira gourmetizada exibida no Domingo Legal não trouxe o efeito esperado. Digamos que EPI’s e bermudas não atraiam sujeitos da mão áspera, mas essas homenagens às avessas ao Gugu, depois de todos estes anos em que certas pessoas dentro do Sistema tiraram o falecido animador pra merda após o escândalo dos falsos PCC’s, me soam estranhas. Acho que esses retornos de quadros ou programas famosos do Gugu me soam menos como homenagem e mais como forma de sugar as recordações do apresentador até o tutano, tentando fazer com que isto se reverta em audiência. Daqui a pouco vão trazer de volta a TV Animal também, vai vendo.

E eu ainda tenho algumas dúvidas sobre a nova gestão Murilo Fraga. A saber:
  • Murilo se imporá frente às afiliadas, que têm mandado mais na cabeça-de-rede que ao contrário?
  • Murilo tirará do ar o Aqui Agora e resgatará as manhãs já consumidas pelo sensacionalismo policial?
  • Murilo punirá com rigor aqueles que se portarem mal frente às câmeras?
  • Murilo jogará limpo com o telespectador e com os anunciantes que quiserem investir no SBT?
  • Murilo terá tempo hábil para consertar os estragos causados por Rinaldi e Lissoni?
  • Murilo será rígido com os horários da grade da emissora, lembrando as estratégias de Luciano Callegari nos anos 80/90?
E uma sétima e última pergunta: será que as respostas a essas perguntas serão dadas a curto prazo? Aguardemos os próximos capítulos!

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