Globo fazendo globice [2º episódio]
Quem diria que O SBT Faliu iria ter ramificações dentro do TVer Ou Não TVer, hein! Eis aqui a segunda entrega da sua nova série…
É público e notório que o projeto Globoplay Novelas, quando enterrou o Viva, se demonstrou ser nada animador e menos promissor ainda. E também não seria agradável pro projeto transmitir uma mesma história que a TV aberta já mostra, o que implicaria em uma implosão paralela das audiências de ambos os canais. Por isso, a morte do Viva pra assunção do Globoplay Novelas ferrou com todo o esquema de escolha de novelas da Globo na TV aberta. No momento, Paraíso (2009), que era forte candidata pra ser substituta de Terra Nostra (1999), está sendo exibida no Globoplay Novelas, que, segundo Walter Felix, do NaTelinha, tem uma prioridade maior pelas tramas recentes, ao contrário do Viva.
E como são sete as tramas nacionais exibidas pelo canal fechado, das quais três nunca reprisadas pela Globo, ficou mais difícil selecionar tanto pro Vale a Pena Ver de Novo quanto pra Edição Especial alguma trama que o Globoplay Novelas não esteja exibindo. E ficou ainda mais complicado arranjar uma substituta pra Terra Nostra porque a barriga desta, que não teve a edição acelerada, diminuiu a audiência em cinco décimos. Por tudo isso, a escolha de Além do Tempo (2015) pra substituir Terra Nostra era, de todo jeito, a mais esperada pelo público, por duas razões: porque não está sendo exibida no Globoplay Novelas e porque, além de não ter sido reprisada em TV aberta ainda, era a que os twitteiros mais pediam.
E pior ainda: o critério pra escolher Avenida Brasil como substituta de Rainha da Sucata no Vale a Pena Ver de Novo foi o de estarem preparando para 2027 uma continuação (que ninguém pediu) da trama de João Emanuel Carneiro. Sabemos perfeitamente que esta novela traumatizou João Emanuel porque, depois do boom que esta teve, ele nunca mais conseguiu escrever uma trama que a superasse. Nem Todas as Flores passou perto da coesão quase inexistente de Avenida Brasil, tanto que, na Argentina, a Telefe tem passado a tesoura sem dó na história.
Agora, escrever uma segunda temporada de Avenida Brasil é pedir pra levar cacete (não do jeito pornográfico). Essa mania da Globo querer reeditar sucessos de novelas originais inventando sequências que, se não estragam, atrapalham o percurso da história primária só demonstra o quanto a dramaturgia, nas mãos de José Luiz Villamarim, está mais perdida que a gestão de Ricardo Waddington quando este esteve à frente do setor. Por exemplo: No Rancho Fundo, sequência de Mar do Sertão, só se deu bem porque alguns personagens carismáticos desta estiveram na história. Já Êta Mundo Melhor, sequência terrorífica de Êta Mundo Bom, ainda que Candinho não fosse limado da trama como o planejado a princípio, não teve nem de longe a mesma química com o telespectador que a original.
A troca de Walcyr Carrasco por Mauro Wilson se mostrou um tanto quanto equivocada. Primeiro porque Mauro já vinha de uma experiência não muito bem-sucedida, ainda que alucinante, de ser autor titular de Quanto Mais Vida Melhor, trama das sete. Segundo porque Carrasco, com alguns problemas de saúde, tem escrito Quem Ama Cuida, substituta de Três Graças às nove, em parceria com Claudia Souto, a mesma que escreveu três novelas das sete, das quais a menos trabalhosa foi a mais recente, Volta Por Cima. Portanto, se a Globo quiser investir em novelas boas, faça o favor de escrever remakes de novelas dos anos 70 e 80… de preferência, as que não são tão lembradas pelo público.
Todavia, uma continuação que parece promissora é a do reality musical Estrela da Casa, que, embora não tenha nem de longe a mesma repercussão do BBB (cuja edição atual será de triste lembrança e vou comentar sobre quando esta bomba acabar), é um reality que conseguiu ter uma correção de rota tão forte que aumentou sua média de audiência em 2 pontos de uma temporada pra outra (11,5 pra 13,1). Aliás, falando na bomba... esta história de dividir o BBB em dois é um tirambaço no pé. Tentando enfraquecer adversários como Celso Portiolli e o futebol na Record visando fortalecer Eliana e Huck, sendo este último alguém por quem o público guarda certa antipatia (ainda que ele normalmente lidere a audiência em sua faixa horária), a Globo enfraquece justamente o BBB. Foi um acerto quando precisou impulsionar a estreia de Eliana, mas foi um erro quando enfrentou o derby paulista transmitido pela rival. Acho que o Estrelas da Casa, por não ter o mesmo hype que o BBB, não vai passar por isso. Tá estranhando que eu escrevi no plural? Tem método.
É que a nova temporada do Estrela da Casa vai ser uma espécie de homenagem ao Popstars, aquele reality da FremantleMedia que o SBT produziu e revelou os grupos Rouge e Br’oz. Sim, porque a ideia agora é formar grupos musicais, tanto que a nova temporada será chamada pelo plural, ou seja, Estrelas da Casa. Bem, a Globo cansou de se inspirar no Fama e resolveu olhar pro passado do SBT pra ver como copiá-lo. Parece até que não engoliram até hoje o fato da Casa dos Artistas, ainda que fundamentada no Big Brother, ter sido o fenômeno que foi. O que pesa agora é que a Record também vai jogar um reality no ar: o Casa do Patrão, coproduzido com a Disney, que envolve dois ex-globais, a saber, Leandro Hassum na apresentação e Boninho na direção artística do negócio. Quem vencerá esta guerra pós-BBB?
Aguardemos os próximos episódios.
